Foram dois dias de julgamento no STF. Um réu que já foi presidente. Mais 4 comandantes militares. Um dia épico, histórico. E no final da tarde, um trompete tocando o óbvio. E um país que, 61 anos depois do golpe de 64, assiste a um novo ato da mesma peça — só que, desta vez, a plateia não vai esquecer. Não dessa vez. O STF levou dois dias para declarar Bolsonaro réu. O brasileiro médio levou dois segundos para postar "Réu!" e voltar a rolar o feed. Uma semana depois não sabe o que realmente aconteceu. Em um país onde a gente não lembra nem o que almoçou ontem, 60 anos de história são só um meme escondido no arquivo morto do Xuiter. Não é ironia, é quase uma lei da física: a história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa … e, no Brasil, como piada pronta. O mesmo mês que enterrou a democracia em 64 agora começa a enterrar a carreira do primeiro presidente pós-redemocratização condenado por tentar rasgar a Constituição de 88. O absurdo? Um trompeti...
Todo mundo tem um lugar onde guarda os incômodos. O meu era um caderno rosa capa dura, até que ele ficou pequeno demais para tanta raiva e café caro. Daí nasceu este blog — onde desabafos viram postagens e subversões viram rotina. Este blog não é um noticiário - e não vou fingir neutralidade onde ela não existe, porque nenhum de nós é neutro. Aqui, eu falo de coisas que me importam, e algumas delas vão vir com raiva, outras com graça, e várias com os dois juntos. Aqui não tem neutralidade. Tem café (quente ou frio, dependendo do dia), tem pitacos não solicitados sobre política, futebol e os abacaxis da vida, e tenho zero paciência pra quem acha que reclamar de desigualdade é exagero. Espere: - Relatos pessoais ( "a vez que minha família descobriu um segredo da ditadura" ); - Opiniões em estado bruto ( "por que ‘cansaço’ não é desculpa para ignorar racismo" ); - Bobagens cotidianas ("confabulando sobre meu treino ...